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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Face a Face

A chuva descia incessante e carregada pelas ruas da cinzenta cidade. Uma noite escura e densa. Um último crime. Um único deslize. Um caminho sem saída, cujo primeiro passo fora dado há muito tempo, mas as consequências só eram vistas agora. Tentando se ocultar entre as sombras da noite, Enzo corria com todas as suas forças numa fuga desenfreada de um inimigo que ele ainda nem vira, mas cuja presença à sua espreita era mais que um pressentimento – era uma certeza. Vestido em preto para não ser notado, pés descalços para não fazer barulho; parou por alguns segundos em um beco escuro, encostando-se nas paredes para recuperar as energias. Quando o som das sirenes começou a ser audível novamente, ele soube que teria de continuar. No entanto, a polícia não era sua maior preocupação – nunca fora. Mas aquelas sirenes eram o alerta de que precisava para trazer-lhe à memória seu grande temor: o Justiceiro que rondava pelas ruas, todas as noites, a caçar criminosos. Diziam que apenas ver seu rosto era a maior condenação que se poderia experimentar – e esta fama já era razão suficiente para não querer saber mais.

A chuva começava a enfraquecer, mas isso não era algo bom. Agora ele podia ser visto; seus passos, ouvidos. Nada mais camuflaria seus rastros. Ele precisava pensar; precisava de algum lugar para se esconder, ou seria vencido pelo cansaço. E após tantas peripécias bem sucedidas, sua derrota seria em uma pueril corrida? Não, não podia terminar assim. Devia haver algum lugar onde não o procurariam, onde ninguém jamais se atreveria a entrar. Mas onde? Avistou um matagal a poucos metros de distância e infiltrou-se: péssima ideia. A chuva tornara a terra em lama; agora além de ouvidos, seus passos estariam gravados. Isso, se ele conseguisse desatolar os pés. Caso contrário, a morte era certa – ou talvez algo pior.

As sirenes estavam próximas. Abaixou-se na esperança de ser camuflado pela mata alta. Os três carros de polícia que o procuravam passaram por ali, e nenhum dos oficiais o viu. Sentiu um breve alívio: talvez pudesse ficar escondido até ter certeza de que estavam longe. Se fosse em direção ao norte, sairia dos limites da cidade e estaria livre; poderia se esconder em alguma fazenda, ou mesmo na floresta por um tempo, até que as coisas esfriassem. Até que o sangue dela escoasse com a chuva... De súbito, percebeu um estranho movimento na mata. Virou-se para os lados, para trás, para frente – nada. Talvez fosse um esquilo, um rato, uma coruja, uma cobra – e um vento gélido arrepiou sua nuca. Não era um animal.

Com muito esforço, desatolou seus pés da lama e pôs-se a caminhar sorrateiramente. Tentava ir para o norte, quando um medo indescritível tomou conta de sua mente. Um vulto branco a dez metros dali. Era Ele. O Justiceiro estava próximo – e já o tinha visto. Enzo tentou desesperadamente correr, mas a lama grossa o arrastava rumo ao chão. Avistou uma cerca metálica à esquerda; agarrou-se às vigas enferrujadas pela chuva e entrou no cemitério da cidade.

A chuva cessara de vez. Uma densa e cinzenta névoa cobria o lugar, deixando tudo invisível a mais de um metro de distância. Ali dentro, o chão era de pedras. Ele poderia correr, mas seu adversário também. Não seria visto na névoa, mas também não conseguiria ver. Também havia árvores por ali, em maioria secas, além das lápides e alguns arbustos espinhosos. Sentando-se atrás de uma árvore, tentava tirar o excesso de lama preso em seus pés; quando um raio cortou o céu e deixou à mostra, por um milésimo de segundo, uma presença ameaçadora poucos metros à frente. A silhueta branca de um homem que o encarava; o rosto encoberto por um capuz e uma máscara, também brancos. Parecia um fantasma, mas seus lentos e pesados passos podiam ser ouvidos caminhando em direção ao jovem criminoso. Enzo se levantou. A névoa ainda cobria tudo à sua frente, mas ele tinha certeza do que havia visto e, principalmente, do que estava ouvindo. Correu para a direita, e sentiu que seu perseguidor fazia o mesmo, a menos de dois metros dali. Parou de súbito, percebendo que o vulto já estava novamente à sua frente. Mais um passo e daria de cara com Ele. Virou-se para a esquerda, sabendo que adentraria ainda mais no labirinto de lápides – mas não importava, desde que pudesse despistá-lo. Sentia-o correr atrás dele e se apressava cada vez mais, desviando das lápides que surgiam no caminho. Até o som dos passos sumir.

A névoa estava sumindo gradualmente. Enzo diminuiu seu ritmo e olhou para trás. Ninguém. Poderia pensar que Ele havia se cansado, ou que o havia despistado, mas não tinha certeza, tampouco acreditava que seria tão fácil. Foi quando se virou de frente e o viu. Freou seus pés com máxima força até escorregar e cair. A poucos passos dele estava o Justiceiro. A estranha figura vestida de branco, coberta dos pés à cabeça, quase como um fantasma, olhando fixamente para ele. Levantou-se saltando para trás e correu, mas parou novamente. Ele estava ali, à sua frente, outra vez. Não ouvia mais seus passos, apenas o som do vento quando ele se movimentava. Era rápido demais. Correu em outra direção, e lá estava ele; virou-se para outro lado, e ele estava lá; e de novo; e de novo. Não importava para onde ia, parecia parar sempre no mesmo lugar, com o implacável Justiceiro parado à sua frente. Ofegante e já cansado de correr, parou seus olhos nos dele, franzindo a testa numa tentativa de parecer hostil.

– QUEM É VOCÊ? – gritou em um tom agressivo, mas também exausto.

Nada. O Justiceiro guardava o mais absoluto silêncio, e começou a caminhar lentamente na direção do rapaz.

– O QUE VOCÊ QUER? – gritou novamente, enquanto recuava à medida que seu inimigo avançava – RESPONDA! O QUE VOCÊ QUER DE MIM?

Sem resposta. Apenas o som de seus passos a se aproximarem lentamente dele. O jovem recuou até bater suas costas em uma lápide, e foi quando o Justiceiro também parou de andar. Sem neblina, sem chuva. Ambos iluminados pela fraca luz dos postes refletida nas lápides. Ambos se encarando sem se mover, até que o rapaz recuperasse seu fôlego e se erguesse de sua posição furtiva para uma postura mais agressiva. O medo que antes tivera agora dava lugar à raiva.

– EU NÃO TENHO MEDO DE VOCÊ! – foi seu último brado, antes de avançar furiosamente na direção do Justiceiro e empurrá-lo. Ele recuou com o impacto, mas não reagiu: apenas se endireitou e continuou parado, sem dizer nada.

– NÃO VAI FAZER NADA, SEU COVARDE? – continuou, agora desferindo um soco no rosto do adversário, que mais uma vez apenas se endireitou e continuou parado.

Ainda mais irritado, deu-lhe outro soco no rosto, e mais outro no estômago; em seguida, desferiu um forte chute e ele cambaleou, mas continuou sem reagir. Pegou-o pela gola da roupa, que agora estava cheia de manchas de lama, e o arremessou a metros de distância. O Justiceiro caiu, raspando-se em alguns espinhos que cobriam uma lápide, e algumas manchas vermelhas começavam a surgir por baixo da roupa. Levantou-se fraco e logo foi atingido por mais um forte soco na face, caindo outra vez no chão. Enzo não agüentava mais vê-lo de pé, e aplicou-lhe mais outros chutes e pontapés antes que ele pudesse se levantar. Depois o ergueu segurando seu pescoço e o pressionou em uma árvore, para sufocá-lo. As roupas do Justiceiro estavam rasgadas e cobertas de sangue. Suas mãos agora seguravam as de Enzo. Talvez tentando finalmente se safar, pensava o jovem.

– AGORA É TARDE PRA VOCÊ! – ele gritava em fúria.

Foi quando o Justiceiro, erguendo uma de suas mãos, tirou a máscara que o cobria e expôs a Enzo seu próprio reflexo rachado.

Afundado em raiva, em vícios, em desespero. Um olhar doentio, ao mesmo tempo tão morto e tão sedento de sangue. Um monstro que destruíra a vida de tantos e a sua própria; aprisionado em sua própria busca de poder e a suposta liberdade que isso traria. Um rosto tão cheio de marcas, mas tão ausente de expressão humana.

– Não...

Enzo já soltara suas mãos do pescoço de seu adversário. Recuava horrorizado, sem conseguir tirar os olhos daquela imagem. Sua própria imagem. Como ele ficara assim? Sua busca por poder tinha uma motivação tão justa... Ele só queria proteger seus entes queridos, só queria libertá-los da pobreza. Queria que fossem felizes! Mas agora estavam mortos – pelas mãos de seu próprio protetor. Mortos por sua busca desenfreada de mais poder, sempre mais poder.

“Não se preocupe, é só um trabalhinho” – foi o que ele disse à sua mãe na primeira vez em que decidiu se meter com eles. Um assalto, uma noite, nada mais. Até o momento em que ocorreu. Até aquela adrenalina subir por seu sangue. Até o dinheiro aparecer em suas mãos.

Uma grana fácil e, além disso, “divertida”. Apenas mais uma vez; um pouco mais de emoção; muitas notas azuis a mais... Clientes maiores, pagamento maior. Riscos maiores. Mais emoção. Por que não montar a própria gangue? É preciso se proteger, proteger quem está perto. Que tal trabalhar no tráfico? Que tal matar o chefe da região e tomar seu posto? Que tal isso, hein Enzo?

– Não, não, não... – Esbarrou suas costas em uma lápide, e voltou como se acordasse de um pesadelo. Mas continuava nele. Continuou recuando, repetindo a única palavra que conseguia pronunciar, enquanto as memórias de seus erros invadiam sua mente num turbilhão de vozes e imagens aterradoras – Não, não, não, NÃO, NÃO, NÃO!!

De súbito, o chão sob seus pés terminara. Num tropeço, Enzo caía em uma cova aberta. Seus erros, seus crimes – suas escolhas. Tudo o que fizera convergia para aquele momento:

“Você está obcecado! Está matando todos ao seu redor e eu não aguento mais ver esse massacre” – foi o que ela lhe disse, já segurando uma de suas malas; o bilhete estava sobre a mesa, em palavras bem mais amenas. De acordo com seus cálculos, haveria tempo de sair de lá e chegar ao aeroporto antes que ele soubesse. Mas ele havia chegado mais cedo que o combinado. E agora ela precisava encará-lo – “E... Eu não quero ser a próxima!”

Mas a porta se fechou antes que pudesse terminar a frase. Não, ela não sairia dali. Ela podia denunciá-lo. Ela podia até já o ter feito. Não havia outra maneira. Não havia mais nenhum outro sentimento, senão a raiva desferida em golpes cruéis, em meio aos pedidos de clemência. Os desesperados pedidos... “Não, não, não...”

O golpe final. O chão da cova e as costas de Enzo se colidiram em um baque surdo. O Justiceiro caminhou até a beira da cova e parou ali para vê-lo. Agora, uma leve chuva caía sobre a cidade. A água que escorria sobre a roupa do Justiceiro levava consigo as manchas de sangue; e o sangue, por sua vez, escoava junto à água pela cova aberta. Enzo estava deitado, com os olhos em lágrimas, na esperança de que estas pudessem levar embora suas lembranças; mas não podiam. Ele agora chorava como uma criança desolada, quando o Justiceiro o interrompeu.

– Hei! Enzo! – exclamou. Enzo ergueu seus olhos para ele, sentando-se. Daquela distância, não conseguia ver seu reflexo nitidamente na máscara espelhada, como vira antes – Que está fazendo aí dentro?

– Eu... Eu sou um idiota! – Enzo respondeu soluçando – Eu traí meus amigos, eu deixei minha família morrer... Não... Eu os matei. Eu me fiz acreditar que eu era o inocente, mas era mentira. Foi tudo culpa minha. Fui eu que os trouxe a desgraça. Fui eu que escolhi tudo isso! Sou um monstro! Eu sou... Um monstro... – e desatou a chorar novamente.

– Que bom que você reconheceu seus erros, e ainda se arrependeu deles. Agora está conseguindo ver o que fez com os outros e consigo mesmo. Meus parabéns.

– Como, parabéns? Eles estão MORTOS, todos mortos! Eu estou morto. Sou uma casca sem alma, não sou digno nem da pior punição! Não mereço... – e foi interrompido novamente.

– Então vai ficar aí se martirizando e tendo pena de si mesmo, como se isso fosse resolver alguma coisa? – Enzo tentou resmungar um “o quê?”, mas não deu tempo – É isso mesmo, você ouviu bem. Punir você, mesmo com a pior das sentenças, não vai desfazer o que você fez. Não vai trazê-los de volta, Enzo. E também não dará fim ao sofrimento.

Enzo tentou tirar as lágrimas dos olhos, para ver direito seu interlocutor.

– Eu sei disso! – respondeu impaciente, porém ainda melancólico e já abaixando a cabeça novamente – mas o que eu posso fazer? Já é tarde de mais pra eles.

– Mas não é tarde demais pra você. – Enzo ergueu novamente a cabeça – Enzo, você acha que é o único que já fez escolhas erradas na vida? Com maiores ou menores consequências, todos fazem. E muitos só caem em si quando já é tarde pra desfazer. Depois disso, alguns ficam se punindo, atolados na lama. Mas outros se levantam; recomeçam suas vidas, procurando ajudar a outros que também estão caindo sem perceber, para que não cometam o mesmo erro que eles, para que não tomem o mesmo rumo de destruição. Há muitos como você, Enzo. Você não pode fazer pessoas voltarem à vida, mas pode impedir que outras morram. Seria muito mais útil do que ficar aí, esperando pela morte.

Houve uma pausa de alguns instantes naquela conversa. Enzo tentava pensar em tudo o que acabara de ouvir. Era uma chance. De recomeçar, de ser alguém diferente, de fazer diferente; ajudar outros como ele. De salvar vidas. Mas, seria isso possível a ele?

– E eu posso lhe ajudar a fazer isso, se você quiser – continuou o Justiceiro – Venha comigo – ele estendeu a mão para Enzo – e vou lhe mostrar.

– Eu... Eu gostaria muito, mas como posso ser livre? As leis daqui são claras, o preço dos meus erros é a morte!

– Não precisa se preocupar, Enzo. Eu já paguei o seu preço.

Enzo se levantou e olhou fixamente para ele.

– Quem é você? – e o Justiceiro tirou sua segunda, e última, máscara.


A chuva agora descia suavemente pelas ruas da cidade. Um amanhecer se erguia ao longe, iluminando tudo ao redor. Enzo estendeu sua mão ao Justiceiro que, segurando-a, o tirou de dentro da cova. Ambos partiram, com o jovem apoiado nos ombros de seu novo tutor. Atrás deles, a sombra de uma enorme cruz cobria a cova vazia.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O que vamos levar

"Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?"
Eclesiastes 1:3

O programa "Hoje em Dia" dessa terça-feira deu passou uma matéria sobre o drama e as dificuldades dos desabrigados que tiveram suas casas e suas coisas levadas pela enchente de cerca de um ano atrás. Muitos ainda sem ter onde morar, o auxílio aluguel de R$ 500,00 prometido pela prefeitura (ou pelo governo federal, não lembro) ainda não chegou desde aquela época... Depois veio outra matéria, sobre o risco que tem os "brasiguaios" (brasileiros que possuem terras na fronteira do Paraguai) de perder suas terras devido às novas sanções (é esse o nome, né) que estão para ser feitas pelo governo daquele país. Eu lia a segunda parte de Mateus 6 quando soube dessas notícias na TV, que fala para não ajuntarmos tesouros na terra, "onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;" (v.19) e sim tesouros no céu. Não sei se pareço muito radical, mas penso que se o meu dinheiro, ou meu trabalho não tem um propósito que gere frutos para a eternidade, então de que adianta fazê-lo? Casas podem ser destruídas por desastres naturais (muitos consequentes da nossa própria burrice e falta de planejamento dos governantes, mas enfim), terrenos podem ser tomados por leis injustas... Um simples descuido no volante pode por fim tanto ao carro, como às nossas vidas! E quando morrermos não vamos levar nada do que temos aqui, e dinheiro, bens, não vai valer mais nada.

"Ajunteis tesouros no céu" não significa que não devemos buscar prosperidade financeira, emprego bem remunerado ou bens materiais: significa que tudo isso precisa ter um propósito maior, não devemos buscar por mero conforto, status e menos ainda por ganância, porque isso passa como vento e com o tempo virará pó. Nosso propósito maior neste mundo é glorificar a Deus, é servir e ajudar ao próximo, é levar pessoas pra Cristo.

Vidas, esses são os tesouros que levaremos para a eternidade.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Um Sentido

Uma das coisas que mais me inquietava desde a infância com relação a Deus era saber o que Ele queria de mim - de certa forma, qual meu sentido na vida e onde Deus se encaixava? Pois apenas crer que Ele existia e não mentir, não roubar, etc. não me pareciam o suficiente. Quando eu tinha meus 10, 11 anos de idade, meu pai parecia achar que me fazer decorar mecanicamente os versículos do livro de Provérbios – da Bíblia – e dizer que eu já era grande e que tinha de fazer "algo" por Deus era o necessário pra que eu tivesse uma vida cristã. Da maneira que ele falava parecia ser um dever, um peso, um compromisso sério que eu não conseguia entender. O tempo passou, houve o divórcio, fui retirada da igreja e, por um bom tempo, as mesmas perguntas continuavam em meu coração. Dos 13 aos 16 anos passei a ouvir o programa diário de rádio do Padre Marcelo e me auto-intitulei como "católica por rádio", tentei ir à catequese, às missas, mas aquilo não tinha o que eu precisava. Com 18 anos me considerava uma simples "sem-religião", que apenas acreditava na existência de um Deus e cria que havia sido criada revolucionar e mudar o mundo através do meu Cinema, que na época era um meio-termo entre o blockbuster e o cine-arte, com uma porção de animações, um ou outro documentário, poucos dramas e mais centenas de fantasias estranhas; uma das minhas maiores pretenções era juntar todos os credos, achando que pegando o melhor de cada religião e filosofia eu teria a Paz mundial e satisfação pessoal. 
Aquilo me pareceu suficiente por um tempo, até eu conhecer em 2009 um rapaz chamado Wellington. Havia duas coisas que me impressionavam nele: a primeira era o modo como me aconselhava, muitas vezes dizendo não o que eu queria ouvir, mas o que eu precisava ouvir; e a segunda era o modo carinhoso como falava de Deus: ele não usava de simples retórica ou de algum texto feito sobre um Ser sobrenatural acima de toda a compreensão humana – ele falava de Deus como se fosse um amigo, alguém próximo e presente, e mais: ele sentia isso; esse amor por Deus, essa intimidade transparecia de uma maneira tão natural que eu não conseguia compreender. Independente da "avançada" filosofia espiritual que eu tivesse, de todo o conhecimento e junção religiosa que buscasse pra alcançar o divino, tudo aquilo empalideceria perante o jeito simples com o qual aquele garoto cheio de defeitos se relacionava com seu Deus.
Por muito tempo pensei que isso era exclusividade dele, pois oriunda de uma igreja evangélica eu nunca vira isso antes, ou ao menos não percebia. Mas quando a situação apertou e Wellington já não fazia mais parte do meu convívio (por vários motivos, inclusive muitas burrices minhas), acabei por ironia divina parando exatamente na igreja que deixara anos atrás, não sabendo as surpresas que me aguardavam por lá. Duas coisas impactantes que descobri nesta igreja, onde estou até hoje, foram:
1.       Aquela paixão que Wellington tinha por Deus não era uma exclusividade dele; e
2.      Eu também podia ser assim.
Intimidade com Deus não é um privilégio apenas de grandes figuras históricas e bíblicas: é algo que Ele quer de cada um de nós. Eu demorei muito a entender (19 anos, hehehe) que o que Deus quer de mim não é que eu apenas leia a Bíblia e cumpra os mandamentos; o propósito de Deus ter se feito carne (Jesus), se sacrificado e ressuscitado dos mortos foi para que hoje eu pudesse ter acesso livre a Ele, um relacionamento com Deus!!! Jesus é a ligação, a porta para conhecer a Deus, poder falar com Ele e ainda ouví-lo. Deus me criou para se relacionar comigo como um bom pai/amigo deve se relacionar com seus filhos, no sentido mais literal da palavra, ou seja: amando, ouvindo as coisas mais íntimas e até as mais triviais que passam pela nossa mente, pelo nosso coração. Muitas vezes somos levados a pensar que nossos problemas são tão pequenos diante de inúmeras dificuldades de outras pessoas, que parece-nos egoísmo falar de coisas pequenas do nosso dia-a-dia, como se Deus não se importasse com elas. Mas Deus não é um governador, ou um presidente; Ele é um pai, um amigo próximo que nos acompanha diariamente onde quer que vamos. Já imaginou você andar o dia inteiro com uma pessoa do seu lado e não lhe dirigir uma palavra sequer? Deus se importa com o mínimo, e se importa com o máximo, afinal Ele é Deus, Ele é onipotente, é onipresente, e é onisciente. Mas apesar de saber de tudo, pra que Ele possa agir na nossa vida nós temos que permitir.
E como fazemos isso? Por meio da oração.
Oração é diálogo com Deus, é conversa, um momento de se abrir, de ser sincero, de ser grato, de buscar a Deus. Quanto mais conversamos com alguém, mais acabamos sabendo sobre essa pessoa e é assim com Deus também.
E nunca é tarde pra começar.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Entre as Folhas: o Fim.

( obs: se você quer saber mais sobre outros capítulos dessa “saga”, clique no marcador “Entre as Folhas” logo acima =D )







Um filme que nunca existiu. Cheguei a mencionar remotamente num post anterior sobre a produção deste curta e um erro específico das centenas que cometi ao longo do processo; além disso, comentei que o filme ainda não estava pronto e não saíra da ilha de edição desde aquele tempo. Pois bem, há cerca de algumas semanas fui surpreendida com alguns e-mails de meu antigo grupo do curso do IFPR cujo assunto “principal” não vem ao caso aqui, mas o importante é que resumindo respostas e respostas de respostas, fui notificada de que todo o material bruto do Entre as Folhas – ou seja, tudo o que foi filmado – se perdeu permanentemente. Não havia mais registro, o material original das fitas se foi, as cópias em HD foram deletadas, o backup se perdeu num computador defeituoso.
Então, de que adiantou? De que valeram todos os dias de reunião e filmagem, todos os custos, as brigas, os estresses, a correria, o tempo, o dinheiro e a energia que gastamos? Bom, talvez esse filme não tivesse sido criado pra ser exibido, talvez tudo isso tivesse sido uma “desculpa” para que algo mais acontecesse e fosse feito – algo que não foi. Não nego que não fui a única a falhar, pois de cerca de 20 alunos apenas metade colaborou pro filme ir pra frente; houve guerra de ego, corpo mole por antipatia com colega, colega que teve de sair por motivo de doença, enfim, todo tipo de problema humano que se possa imaginar. Mas o maior erro desse filme, a maior besteira, foi a minha covardia, a minha omissão, a minha falta de atitude. Perdi várias oportunidades de expor o significado do filme por puro despreparo, deixei de falar o que devia, e falei o que não devia; não ajudei o suficiente, não agi como uma diretora devia agir, menos ainda como uma cristã.


Mas não posso negar que tivemos momentos valiosos: não dá pra esquecer as loucuras, as gambiarras, a “catação” de folhas no Passeio Público, a emocionante madrugada de gravação e quebra-quebra na casa da colega Patrícia, a tensão quando minha querida Bruna quase é levada pelas correntezas do rio São Francisco, o vai-e-vem de livros velhos e pesados, e o quanto eu pude rir de meu coleguinha Robs vestido com as roupas de batismo que peguei emprestado da IBC; isso, entre mil outros acontecimentos que as câmeras de nossos olhos registraram, e que ficarão marcados pra sempre no rolo fílmico de nossas vidas.
Ainda me lembro do dia em que nossa professora de roteiro passava o poema no qual devíamos nos inspirar pra fazer o filme. Um poema que falava do essencial, daquilo que se fosse tirado de nós, morreríamos. Daquilo que poderia ser traduzido numa palavra; e no momento em que escrevi, que palavra era esta? Que necessidade tão ardente o seria?
Um sentido. Uma razão pra agir, pra sonhar, pra viver. É o que todos buscamos como humanos.


Essa foi minha palavra na época. Pérola, a protagonista do filme, buscava ardentemente por um sentido em sua vida. Ela buscou todo o conhecimento que podia para tentar suprir o seu vazio, por isso tinha tantos livros espalhados em seu quarto; ela procurava por respostas, por algo que a saciasse, e tentou fazer do conhecimento o seu sentido; mas não foi suficiente para preencher seu vazio. Frustrada, ao invés do sentido então buscou um consolo: encheu-se de remédios para aliviar sua dor. Mas com o tempo aquilo que era um alívio se tornou uma dependência, um vício, e já não era mais Pérola que consumia os remédios, mas era consumida por eles. Pérola criou então uma fuga, um mundo imaginário onde os problemas não existiam, onde ela era quem queria ser, ou quem pensava ser; mas a realidade veio como um caco de vidro em seu pé e num estrondo, ela caiu na “real”. Ela não via mais o mundo como ele era, mas como o pesadelo que suas escolhas haviam gerado, uma tormenta sem volta, um mundo em preto-e-branco. Já sem esperanças e com tudo destruído, ela não via outra alternativa, senão a de acabar com sua vida.
Quando nos pedia para escrever os roteiros, nossa professora disse que queria algo, de certa forma, baseado em nossas vivências pessoais; ou seja, que a nossa própria essência estivesse ali. Então, o Entre as Folhas seria auto-biográfico?
Sim e não. Muito mais do que UMA pessoa específica, a própria Pérola em si é uma metáfora: é alguém que, como todos, nasceu com um tremendo vazio existencial e, como muitos, tentou preenchê-lo a todo custo com coisas que além de não bastarem, a tornaram escrava e dependente. Os livros podiam representar uma profissão, um ideal, um sonho, um relacionamento; os remédios, como um consolo, poderiam ser bebida, baladas, cigarro, sexo, drogas; e o jardim era a fuga máxima do real, negar os problemas, fingir que está tudo bem, colorido e feliz, negar o vazio e a dor. Mas o baque da realidade é mais forte. Não há céu, não há chão, ela não tem mais onde se firmar e resolve terminar com tudo. Mas quando já parece ser tarde demais, alguém estende a mão. Alguém que se preocupa. Que realmente a ama. Alguém que não se importa com o que ela tenha feito, com quem tenha sido: Ele simplesmente quer ajudá-la a descobrir quem ela realmente é e é o único que pode levá-la a conhecer seu verdadeiro sentido. Meu querido, minha querida, este alguém é Jesus, e esse sentido Deus, é viver com Ele. E viver aqui, neste mundo e nesta vida que é A ÚNICA em que você vai poder escolher o seu destino. Não é preciso morrer pra encontrar Deus, pra falar com Deus, ou para ouvir Deus, pois ainda NESTA VIDA Ele quer que você o conheça, que se relacione com Ele. Uma religião não vai te proporcionar isto, conhecimento (bíblico ou não) não vai te proporcionar isto. Meu amigo, a salvação só se consegue de uma maneira, e possui três passos essenciais: crer, se arrepender, e se entregar a Jesus. Você pode não entender, pode duvidar, mas a verdade é que o Deus que diziam estar distante se fez homem, habitou entre humanos e FOI MORTO por amor a cada um de nós. Jesus É DEUS e não apenas morreu, mas ressuscitou e venceu a morte para nos dar vida, e vida em abundância. Jesus não é uma religião chata, é um Deus que promove um relacionamento vivo e amoroso. É um cara que vai te amar independentemente de quem você é, mas que vai te ajudar a crescer e mudar, mudar pra aproveitar cada vez mais a vida que Ele deu pra você; Jesus não é aquele que simplesmente fez milagres na antiguidade, mas aquele que FAZ milagres a todo tempo na vida dos que se entregam a Ele.
É... Acho que é isso o que eu queria dizer esse tempo todo. Eu queria dizer o que eu vivo, o que eu sinto, o que eu fui e o que eu sou. Ainda com defeitos, com problemas, mas com esperança e um amigo inseparável que reparte as cargas comigo e alivia o meu cansaço. Glória e Aleluia.
E pra você que não conhece, ou não viu ainda integralmente o roteiro do Entre as Folhas, ele está “anexado” logo abaixo. Ainda pretendo alterar algumas coisas, como trocar a praia realmente por um rio e também o nome dos personagens, de Pérola para simplesmente “Ela” e do Alguém para quem “Ele” é.
Um grande abraço, e se você aguentou até aqui (rsrsrs), enjoy!




“ENTRE AS FOLHAS”
Um roteiro original de Lin Marx



1. PRAIA – EXT – NOITE – CÉU ESTRELADO

FADE IN


O céu e as estrelas surgem lentamente no fundo negro.





FADE OUT

2. LAGOA – EXT – DIA

FADE IN


PÉROLA está deitada, boiando na água e olhando para cima. À sua volta algumas folhas flutuam. Outras folhas caem lentamente sobre ela. O reflexo da água é bem azul e as folhas estão bem verdes.




MONTAGEM PARALELA COM CENA 3.

3. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

CENA 3 SURGE APENAS EM CORTES RÁPIDOS, COMO SE A CENA 2 FALHASSE.



Pérola está deitada no chão. Ela tem aparência doentia. À sua volta estão vários pedaços de papel rasgado. Outros pedaços caem lentamente sobre ela.





FUSÃO DA CENA 3 COM CENA 4

4. JARDIM DE OUTONO – ABAIXO DA SOMBRA DA ÁRVORE – EXT –DIA

Pérola está deitada sobre folhas amareladas de outono, abaixo da sombra de uma árvore. Algumas folhas de outono caem lentamente sobre ela.





FADE OUT

5. JARDIM FLORIDO – EXT – DIA

O jardim possui flores de todas as cores. A grama é bem verde, há uma árvore no meio das flores. Pérola corre pelo jardim, quando subitamente tropeça.





6. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

Pérola cai no chão frio.





5-B. JARDIM FLORIDO – EXT – DIA

Pérola está caída. Ela nota uma pétala de flor fincada em seu pé. Pérola tira a pétala e sai pólen dourado pela ferida que a pétala deixou. Pérola pega um pouco do pólen e passa em seu rosto. Ela assopra a pétala e a pétala se multiplica, depois se transforma em borboletas, que rodeiam Pérola cada vez mais rápido.





7. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

A mão de Pérola rodeia um copo com uma colher. Dentro do copo está continuando a CENA 5-B, que está colorida. A mão de Pérola para de rodear o copo e derrama o líquido sobre a superfície. O SOM do líquido é destacado.





8. JARDIM DE OUTONO – EXT – DIA

Pérola ouve o SOM de bolhas emergindo, vindo de uma lagoa próxima. Ela vai até a lagoa e vê em seu reflexo o teto do quarto escuro, e sua imagem em PB debilitada e doentia. Pérola espalha o reflexo com sua mão.





9. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

A mão de Pérola derruba vários remédios, cadernos, uma garrafa d’água, uma colher e uma luminária ligada de uma escrivaninha que está em frente a uma janela aberta. Na janela é visto o céu estrelado, que está em cores. Pérola fecha subitamente a janela. A luminária continua ligada, pendurada pelo fio da tomada. Ao lado de Pérola há uma cama e, na parede, uma estante cheia de livros. Pérola tira todos os livros da estante. Ela joga uns sobre a cama, outros no chão. Começa a arrancar as folhas dos livros e as rasga. Ela chora desesperada enquanto arranca as folhas.





CORTA PARA FLASHBACK 1

F-1. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

A mão de Pérola rodeia um copo com uma colher. Há pedaços brancos se desmanchando dentro do copo.




FUSÃO DOS PEDAÇOS DO COPO COM AS ESTRELAS DO FLASHBACK 2.

F-2. PRAIA – EXT – NOITE – CÉU ESTRELADO

Aparece o céu estrelado. Logo abaixo está uma praia.





F-3. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

O fim da praia é vista colorida pela janela do quarto. A escrivaninha é vista de cima, com os remédios, os cadernos, a garrafa, o copo vazio, a colher e a luminária ainda sobre ela. Pérola está ajoelhada no chão, com vários livros abertos ao seu redor. Ela abre e folheia os livros apressadamente. Parece chorar. Pérola se levanta e vai até a escrivaninha, enche o copo com a água da garrafa e despeja um remédio sobre a água do copo. Ela rodeia o copo com a colher. Tira a colher e despeja o líquido do copo sobre a superfície da escrivaninha. Arremessa o copo entre os livros do chão e o copo se quebra.




ELIPSE

10. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

Pérola pega algumas folhas rasgadas e as joga no ar enquanto rodopia. As folhas giram ao seu redor. Ela parece um pouco mais calma, quando pisa em um caco de vidro, desliza e cai no chão.





ELIPSE

10-B. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

Pérola está deitada no chão, chorando. Seu rosto está manchado com um pouco de sangue. À sua volta estão vários pedaços de papel rasgado. Outros pedaços caem lentamente sobre ela. Há um caco de vidro ensangüentado em sua mão. Ela para de chorar, estende lentamente os braços e encosta o caco de vidro sobre um dos pulsos. Ela afasta o caco de vidro do pulso, depois o aproxima novamente e faz um leve arranhão. Pérola afasta o caco e se prepara para fincá-lo no pulso. Sua vista começa a desfocar. Quando ela vai fincar o caco, as mãos coloridas de ALGUÉM seguram as mãos de Pérola. Tudo ainda está desfocado. Pérola amolece e deixa o caco de vidro cair de sua mão. Alguém se ajoelha no chão e a pega no colo, tira o sangue de seu rosto e a abraça. Pérola chora e começa a ficar colorida. Água começa a entrar pela porta do quarto. As paredes do quarto vão se desfazendo.





FUSÃO DA CENA 10-B COM A CENA 11

11. PRAIA – EXT – AMANHECER

Pérola e Alguém ainda estão abraçados, com a água da praia molhando os pés e joelhos de Alguém. Pérola está mais tranquila.





ELIPSE

FUSÃO DA CENA 11 COM A CENA 12

12. PRAIA – EXT – MANHÃ

Pérola está sentada na praia, olhando para o mar.



FIM









quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Necessário


Posso eu entrar no ventre de minha mãe
 e voltar a nascer?
Sendo eu homem adulto,
como pode isso assim acontecer?

Aquele que não nascer da água e do Espírito,
Não pode entrar no Reino de Deus.


Necessário é nascer de novo,
necessário é nascer de novo.
Necessário é nascer, necessário é nascer,
Necessário é nascer de novo.

O que é nascido da carne é carne,
o que é nascido do Espírito
é espírito.
O homem entende das coisas da carne,

mas é Deus que entende do espírito.

Necessário é nascer de novo, necessário é nascer de novo,
Necessário é nascer, necessário é nascer,
Necessário é nascer de novo!
(Necessário - Oficina G3)

Baseado em trecho de João 3.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Onde você estaria?

Aproveitando esse clima de véspera de Natal, e refletindo tanto no meu devocional de ontem (João 6:22-59) quanto na mensagem do Nosso Pão Diário, eu me lembrei de uma reflexão que há meses já tinha escrito, mas que faltara-me coragem para postar, mas que agora me senti incentivada a passar adiante: 
Hei! Já pensou onde você estaria se Deus não tivesse te resgatado, quem você seria? Ou melhor, já pensou que se Deus não te escolhesse, se Ele não viesse até você, você NUNCA conseguiria ir até Ele?

No dia em que eu refletia neste assunto, estava lendo a 1ª carta de Paulo à igreja de Corinto, que estava enfrentando problemas à beça por causa do orgulho de seus membros. A exortação que o apóstolo faz aos irmãos é perfeita e totalmente cabível nos dias de hoje: "Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?" (1Coríntios 4:7) Muitas vezes começamos a nos julgar melhores do que outros, esquecendo que nada do que temos, nem mesmo nossos talentos e dons pertencem a nós, pois tudo recebemos de Deus! Esquecemos que somos indignos, pecadores que NADA merecemos receber de um Deus perfeito que ainda assim transborda bênçãos diariamente sobre nós e nos dá tudo o que necessitamos, independente do que fazemos, pois seu amor é imensurável e incondicional.


Aí, voltando à primeira pergunta, penso aqui comigo: onde eu estaria se Deus não tivesse me resgatado? Mesmo que isso seja um tanto desagradável, eu te convido a fazer uma simulação e analisar o quanto Deus tem feito diferença em sua vida. Se eu me fizesse esta pergunta a um ano atrás, sinceramente vejo que pouco eu poderia dizer, pois apesar de estar já na igreja ainda não tinha realmente me entregue por inteiro e, assim, as maiores transformações que vivi e vivo ainda não tinham acontecido; a conversão é um processo gradativo para muitos, pois não ocorre num passe de mágica e apesar de nos mostrar o caminho a seguir, Deus sempre nos deixa livres para dar um passo após o outro no nosso ritmo. Pois bem, voltando à simulação: numa vida sem Deus, posso imaginar uma garota deprimida no escuro de seu quarto aprisionada por sonhos que se tornaram pesadelos, chorando por se sentir incompreendida, amedrontada e, extremamente, sufocantemente só. Para esta triste garota, só posso ver dois destinos: fracassaria em suas tentativas de fazer cinema e se tornaria uma frustrada qualquer, uma morta-viva sem sentido de ser; ou poderia até conseguir uma carreira promissora, mas independente do filme mais sensacional e provocador que fizesse, da maior polêmica que conseguisse, da obra de arte mais bela que saísse de suas mãos... Ela chegaria em casa após o término de seu trabalho, entraria em seu quarto e veria que tudo aquilo não ajudara em nada a preencher o vazio existencial em sua alma: ela continuaria triste, escravizada por um ridículo senso de dever com uma missão impossível de mudar o mundo, incompreendida pelos demais ao redor, cheia de remorso por abandonar a família em prol da carreira... E totalmente, inegavelmente, profundamente só.

Mas é claro que esta é a minha história e talvez a sua e a de outros seria, assim digamos, menos dramática. Quando olho para meus irmãos nesse aspecto, consigo imaginar facilmente o que seria de alguns ex-drogados, ex-baladeiros, ex-beberrões... E também alguns nerds cujo destino seria mais monótono do que assistir a uma lesma subindo o muro. Há, ainda, irmãos cuja provisão e direção de Deus é tão, TÃO nítida que fica quase impossível imaginar o que seria do cara se Jesus não o tivesse resgatado. Já vi Deus ressuscitar sonhos de infância, cortar vícios, curar traumas e doenças... E algumas dessas coisas eu não apenas vi, mas vivi, experimentando maravilhosamente o agir e o cuidado de Deus em minha vida - uma vida em plena abundância! As palavras de Cristo em João 10:10 não são mera retórica, mas uma promessa viva de nosso Pai celestial que se cumpre e se renova a cada dia. Ao contrário do alguns pensam poraí, Deus não quer que seus filhos tenham uma vida medíocre; é só passear pelos livros da Bíblia e veremos histórias como a de José, um escravo que foi feito braço-direito do Faraó, ou Davi, o franzino pastor de ovelhas que se tornou rei; Ester, rainha e salvadora de seu povo; Moisés, Josué, Gideão, Paulo, Rute... Maria. Há tantos outros nomes, tantas histórias, tanta riqueza; vidas totalmente transformadas, pessoas que podiam ter muitos defeitos, mas que ao se colocarem na dependência de Deus puderam contemplar Sua grandeza e ainda participar de Seus maravilhosos planos!

É isso que acontece quando, por intermédio de nosso aniversariante Jesus, pegamos o "EU" em nossa vida e colocamos um "D" e um "S" nas pontas, deixando que Deus seja o nosso centro, tome conta de tudo o que somos e temos, pois só Ele pode preencher o vazio que há em nós. Não vou negar que passei por dificuldades ou que tive de abandonar algumas coisas; mas quando as entreguei a Jesus, descobri que não tinham valor algum, não faziam mesmo parte de mim e ainda eram na verdade como correntes e vendas que me impediam de ver, de viver todas as coisas maravilhosas que o Pai preparou pra mim.

E aí, o que podemos fazer é agradecer sempre, queridos. Independente das interpéries que você passou até aqui, você está vivo e mais, VOCÊ ESTÁ SALVO DA PIOR DELAS, que é a vida longe dAquele que te criou e que te ama incondicionalmente, independente do quanto você tenha reclamado e murmurado neste ano (é, confesso que fui "profissa" nisso ^^").

Já é quase Natal, vamos lembrar do Deus que se fez carne, nasceu numa estrebaria, viveu, sofreu, morreu e ainda por cima ressuscitou só pra poder ficar com você.

Um Feliz, e Maravilhoso Natal a Todos nós!!!
Que o Aniversariante possa fazer ainda muitos anos dentro de nossos corações.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Josué 3:5

"Disse Josué também ao povo: Santificai-vos, porque amanhã fará o Senhor maravilhas no meio de vós."

Eu chegava no culto de quarta-feira - pouco depois do louvor ter terminado sua parte e pouco antes de começar a assembleia trimestral da igreja - e o Pr. estava fazendo uma breve reflexão sobre esta passagem bíblica. Ele explicava que Deus não deixaria de fazer Suas maravilhas se o povo não se santificasse, pois a ação de Deus independe da nossa, Ele não precisa de nós pra fazer nada! Se nos calarmos, as próprias pedras clamarão (Lucas 19:40). Quando não nos santificamos, quem perde somos nós: perdemos de ver as maravilhas que Deus faz, perdemos de sentir Sua presença em nós e nosso meio, perdemos de ser usados por Ele e ficamos de fora de bênçãos espirituais inimagináveis. Não é difícil saber se um crente se santifica ou não, pois ele acaba ficando totalmente cego para tudo o que Deus faz e seu foco não são as maravilhas do Pai, mas os erros e defeitos dos outros - se você vai à igreja e nota mais o que seu irmão faz de errado do que o que Deus faz de belo por lá, cuidado!!

Outra coisa, não confunda santificação com simplesmente servir num ministério da igreja, ir aos cultos ou/e entregar dízimos e ofertas - se santificar é seguir os passos de Jesus, é estar em crescente e constante transformação até refletir a imagem dEle em nossas vidas (2ª Coríntios 3:18). Ainda é fresca em minha memória a noite do encerramento da campanha de 40 dias pela Família, quando eu cantara no coral da igreja e, no dia seguinte, lia os e-mails de testemunho de meus irmãos coristas: eram conversões, o sobrenatural de Deus agindo, "suor" nos olhos ao cantar a mais impactante das canções da noite... E percebi que, mesmo estando fisicamente ali e presenciando boa parte daquilo tudo, eu não havia participado. Naquela noite, me preocupei tanto com a afinação, a plateia, minha própria insegurança em não ter me preparado como devia, além do fato de não ter conseguido que nenhum parente meu fosse ao culto de encerramento; e não aproveitei, tampouco senti o agir de Deus tão poderoso à minha frente. Eu estava focada em centenas de coisas, menos aquilo que deveria: simplesmente louvar e adorar ao meu Deus.

E mais algo que eu queria ressaltar na passagem: Josué não disse aos anciãos para se santificarem; não disse aos reis, não disse ao pastor, ou aos diáconos - ele disse a todo o povo. Jovens, velhos, mulheres e homens, com ou sem título, Deus quer que todos nos santifiquemos porque quer que todos usufruamos da vida abundante e única que Ele tem pra nós.

Queridos, santidade é um item fundamental para a vida de todo crente. Não significa ser perfeito, mas buscar a melhora a todo momento, em todos os dias da sua vida, independente de você ter um ou cinquenta anos de vida cristã; não somos perfeitos, mas Deus nos quer santos, separados para Ele e nada mais. Muito mais que esquentar o banco, fomos feitos para participar da obra de Deus no palco da vida, de pegar no batente não porque Ele precise de nós, mas porque nos escolheu pra isso.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

No Alvo Certo?


Mas como é bom ver as obras de Deus se concretizando em nossas vidas, não?! Como é bom ver Seus milagres, o Seu agir poderoso e sobrenatural, querer a cada dia fazer parte de Sua poderosa obra de redenção para o mundo... E os sonhos?! Ah, os sonhos... O que é um sonho senão uma visão deslumbrante de uma gotinha do que Deus tem preparado para nós? Bom... Quais são os seus? Eles condizem com a vontade do Pai? Sabe, há cerca de um ano atrás aconteceu-me algo muito interessante com relação a meus sonhos para o Reino através da minha profissão: em uma votação de roteiros para fazer o curta-metragem da turma, o meu foi escolhido... Era uma história com duração média de 4 minutos, contando a história de uma garota que havia buscado em tudo para tentar preencher o vazio em seu coração, mas não conseguiu; desesperada, ela então resolve tirar sua própria vida... Quando "alguém" a impede de se matar e, assim, a salva e a purifica. Uma metáfora para a vida de cada um de nós, e como Jesus pode nos salvar do abismo se assim lhe permitirmos.

Como se não bastasse a grande bênção de ter esse roteiro gravado, além de roteirista eu também seria uma dos dois diretores do curta-metragem, ou seja: a maior autoridade criativa naquela produção era minha, e a maior responsabilidade também. Parecia perfeito!

Começaram as reuniões de pré-produção, os problemas, a correria de sempre. E enquanto eu decidia com meu parceiro de direção sobre locações, figurinos, fazíamos "barracos" sobre orçamento e quem iria pagar os gastos exorbitantes de uma produção que já estava saindo de controle... Uma colega ao meu lado resolvia se embriagar pelo que me pareceu a sua primeira vez; ofereci com palavras minha amizade a ela, mas em todas as vezes que ela me convidou para sairmos juntas, minha cabeça estava tão ligada em outras coisas que eu acabava por recusar, deixar pra depois... Quando o cãozinhho dela morreu e ela chegou quase chorando na sala, o máximo que fiz foi pedir a um amigo para ir consolá-la, ao invés de eu mesma o fazer. E por quê? Porque eu estava tão cegamente focada em minha "missão maior" de mostrar o Amor de Deus através do meu filme, que acabei por esquecer de demonstrar esse Amor através da minha vida. Resultado: tivemos centenas de problemas de produção e pós-produção, o filme não ficou pronto até hoje... E eu perdi contato com a garota.

Mas como é fácil acharmos que estamos fazendo uma obra a Deus só porque colocamos o nome dEle ali; como é fácil mentirmos pra nós mesmos: sonhamos em sustentar os famintos, contribuir com a propagação do Evangelho em terras não-alcançadas, mas quando alguém ao nosso lado necessita de um apoio nós simplesmente fingimos não ver, preferimos nos focar insistentemente nas nossas "grandiosas" obras dizendo a nós mesmos que estamos batalhando em prol de algo muito maior, como se Deus olhasse por quantidade e não pela qualidade da ajuda, ou como se ajudar quem está perto fosse tarefa "de outro" e a sua fosse apenas quem está longe. E não falo apenas de evangelização, de falar de Cristo para aqueles que não conhecem... Estou falando de amor ao próximo, sendo ele perdido, sendo ele salvo.

 Em I Aos Coríntios 13 vemos Paulo exortando os crentes de Corinto sobre a importância do Amor acima de todos os dons espirituais. Independente do dom "Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos..." (v. 1), independente da ação altruísta "E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres" (v.3) isso não vale nada se não houver amor. Sem amor, nossa busca desenfreada por sonhos e objetivos, independente do quão bondosos sejam, acaba nos fazendo atropelar acidentalmente todos os que estiverem em nosso caminho e, sem perceber, usamos e até ferimos pessoas. Algumas feridas demoram a cicatrizar.

"Ame a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo" Deus não fala para amarmos nossos sonhos como a nós mesmos, nem de dar a vida por um sonho; Ele fala para amarmos nosso irmão, o nosso amigo. "O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que este: de dar alguém a vida pelos seus amigos." (João 15:12-13) Não há nada de errado em amar os que estão distantes, mas devemos começar por quem está próximo pois o amor não é uma mera abstração ou um sentimento platônico - é uma prática diária.

Aproveitando este clima de final e início de ano, faça uma "revisão" e veja onde você tem depositado o seu foco, veja por trás da sua retórica de "boas intenções" se você tem demonstrado o amor que diz que tem aos que estão próximos de você. Não adianta profetizar, expulsar demônios ou fazer maravilhas no nome de Cristo. Se não praticamos as palavras dEle, se não soubermos amar, a resposta será "Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." (Mt 7:23)

Tenhamos todos um bom (e reflexivo) final de ano.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

É, não deu denovo =)

É meus queridos, tenho mais um ano pra estudar pra FAP!!! E quer saber, meu desânimo pela notícia não durou nem 15 minutos. Em parte porque eu já suspeitava disso: não me dediquei o suficiente, não li todos os livros, e novamente não estudei inglês nem literatura. Acontece.

Mas sinceramente, estou feliz! Porque assim aprendo que Deus poderia sim fazer com que eu acertasse a todos os meus chutes, mas ele é bom, justo e me ama demais pra me mimar e me "estragar" desse jeito. Ele quer que eu entre na FAP preparada para o que virá, e ter disciplina nos estudos é fundamental numa faculdade. E independente do quão desorganizada digam que é lá, EU não posso ser. Além disso, agora posso tentar um emprego que dure um ano, pra aprender a ter disciplina e estabilidade no ambiente de trabalho - algo que em 4 empregos e 4 estágios eu ainda não consegui desenvolver.

Deus é sábio em tudo o que faz, confie! Não se foque no teu futuro profissional, se foque em Deus e na Sua vontade que Ele cuida do resto! E a vontade dEle é que a gente entre numa faculdade preparado para o que virá, por isso não devemos confiar no chutômetro com a falsa desculpa de "fé" (você entendeu o que eu quis dizer...). Deus capacita seus escolhidos, e academicamente/profissionalmente falando, o vestibular é um medidor da capacitação que você já tem. Se não deu dessa vez, é porque você não estava preparado e isto é justo. Imagine aqueles exemplos clichês do médico, do cirurgião, do piloto de avião e tal... Deus CAPACITA os escolhidos, ninguém disse que Ele "te faz acertar tudo" se você nem estudou. Lembra de Davi: antes de lutar com o gigante golias, ele foi capacitado por Deus lutando com um leão, e com um urso!

Então se você não passou no vestiba, não fique aí choramingando e tendo pena de si mesmo. Levante a cabeça, creia e dependa de Deus em tudo na sua vida e peça a Ele que te dê forças, pois sozinho você não vai ganhar essa batalha.
Mas lembre-se: a ação de Deus não tira a responsabilidade que você tem de fazer tua parte.

Um grandiosíssimo abraço a todos os vestibulandos que, assim como eu, "ficaram para trás", e a vocês a frase final:
"Muitos fracassados na vida são pessoas que não perceberam que estavam tão perto do sucesso e preferiram desistir."

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Não Louve Assim!



Não tem como não rir, mas não tem como não concordar. Muita gente pensa que "ser crente" é só ir pra igreja, "curtir o fervo" das canções, fazer um social e vazar. Outros participam de ministério, são ativos na igreja, mas tão lá também só pra se aparecer, achar um namô... Outros esquentam banco há vinte anos e nem se lembram mais do que estão cantando, mas como já é costume mesmo, vamos continuar cantando! Outros cantam, cantam, caaaantam e louvam no domingo... E segunda-feira nem se lembram mais que Deus existe. Quanta variedade de hipócritas, não?

Pois é, mas é real e é só a gente se descuidar um pouco, que já começa a "imitar" o mau-exemplo sem perceber. Vou assumir, me identifiquei com uma boa parte dos simpáticos exemplos do vídeo. Ás vezes a gente está lá vibrando e cantando, fazendo "cara de adorador" com toda energia, mas se alguém for perguntar o significado das palavras que estamos proferindo, a resposta pode ser um "blá, blá, blá" minusciosamente decorado - cujo significado também nos é um mistério, ou até um sincero e triste "ah, não sei, mas o ritmo é bem legal!!"

É, o ritmo é legal, mas quando você para pra ouvir a letra... Cantar pedindo "vem derramar Tua glória" ou "traz refrigério a minh'alma", ou anunciando "Recebe a cura, recebe a unção" é susse, mas e declarar "só por Ele eu viverei" ou "quebranta-me, transforma-me" ou quem sabe "pois quando eu escutar, de todo o coração obedecerei"?? A gente declara isso o tempo todo, mas... A gente vive?

 "Quem diz que nunca pecou já está pecando, pois é mentiroso" não adianta tentar enganar a si mesmo dizendo que isso nunca lhe aconteceu.

Como ministro de louvor, solista, membro de coro, às vezes a gente fica a música inteira analisando se a voz está certinha, se as "caretas espirituais" estão de acordo... Mas sem sentir e crer de fato no que está cantando perante a congregação. E até na congregação, isso também acontece - infelizmente falo por experiência própria. ¬¬

Jesus quer verdadeiros adoradores, "que o adorarão em espírito e em verdade" (João 4:23) fingir que você sente e vive algo que você não sente, nem vive, não vai te levar à presença de Deus nem hoje, nem nunca!!

Que além de render boas risadas, esse vídeo nos faça refletir e, principalmente, MUDAR.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

A PEDRINHA









Confie...

As coisas acontecem na hora certa.
Exatamente quando devem acontecer!
Momentos felizes, louve a Deus.
Momentos difíceis, busque a Deus.
Momentos silenciosos, adore a Deus.
Momentos dolorosos, confie em Deus.
Cada momento, agradeça a Deus.