Essa foi minha palavra na época. Pérola, a protagonista do filme, buscava ardentemente por um sentido em sua vida. Ela buscou todo o conhecimento que podia para tentar suprir o seu vazio, por isso tinha tantos livros espalhados em seu quarto; ela procurava por respostas, por algo que a saciasse, e tentou fazer do conhecimento o seu sentido; mas não foi suficiente para preencher seu vazio. Frustrada, ao invés do sentido então buscou um consolo: encheu-se de remédios para aliviar sua dor. Mas com o tempo aquilo que era um alívio se tornou uma dependência, um vício, e já não era mais Pérola que consumia os remédios, mas era consumida por eles. Pérola criou então uma fuga, um mundo imaginário onde os problemas não existiam, onde ela era quem queria ser, ou quem pensava ser; mas a realidade veio como um caco de vidro em seu pé e num estrondo, ela caiu na “real”. Ela não via mais o mundo como ele era, mas como o pesadelo que suas escolhas haviam gerado, uma tormenta sem volta, um mundo em preto-e-branco. Já sem esperanças e com tudo destruído, ela não via outra alternativa, senão a de acabar com sua vida.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Entre as Folhas: o Fim.
Essa foi minha palavra na época. Pérola, a protagonista do filme, buscava ardentemente por um sentido em sua vida. Ela buscou todo o conhecimento que podia para tentar suprir o seu vazio, por isso tinha tantos livros espalhados em seu quarto; ela procurava por respostas, por algo que a saciasse, e tentou fazer do conhecimento o seu sentido; mas não foi suficiente para preencher seu vazio. Frustrada, ao invés do sentido então buscou um consolo: encheu-se de remédios para aliviar sua dor. Mas com o tempo aquilo que era um alívio se tornou uma dependência, um vício, e já não era mais Pérola que consumia os remédios, mas era consumida por eles. Pérola criou então uma fuga, um mundo imaginário onde os problemas não existiam, onde ela era quem queria ser, ou quem pensava ser; mas a realidade veio como um caco de vidro em seu pé e num estrondo, ela caiu na “real”. Ela não via mais o mundo como ele era, mas como o pesadelo que suas escolhas haviam gerado, uma tormenta sem volta, um mundo em preto-e-branco. Já sem esperanças e com tudo destruído, ela não via outra alternativa, senão a de acabar com sua vida.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Coisas que aprendemos com o Entre as Folhas
Pra você que está afim de fazer Cinema, é bom dar uma olhada:
"Oi pessoal.
Vou retomar o assunto do “Entre as Folhas”, pois este filme é um trabalho acadêmico que está em fase de realização na disciplina de Audiovisuais Ficcionais do Curso de Técnico em Produção de Áudio e Vídeo do IFPR. Para refrescar os ânimos vou relembrá-los que o roteiro do filme decorreu da adaptação livre de um poema de Rubem Alves. O poema era o seguinte:
Leia este poema vem devagar,
pois cada imagem
merece a preguiça do olhar:
No mistério do Sem-Fim;
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
entre o planeta e o Sem-fim,
A asa de uma borboleta.
É pequeno, mas diz tudo.
Nada lhe falta. Uni-verso.
Nenhuma palavra lhe
Poderia ser tirada.
Assim se faz um poema,
Com palavras essenciais.
O poema diz o essencial.
O essencial é aquilo que,
Se nos fosse roubado,
Morreríamos.
O que não pode ser esquecido.
Substância do nosso corpo
e da nossa alma.
Rubem Alves, in “O Retorno Eterno”
Voltando ao texto original, fico pensando o que autor iria pensar ao ver a briga toda na qual nos metemos por conta da produção de um filme de 2 minutos inspirado neste poema. Achei hilário o vídeo realizado pela diretora de produção Rayane e reconheço que realmente todos nós precisavamos ouvir o desabafo. Vamos aos aspectos didáticos do filme, no que envolve o aprendizado proposto pela disciplina, no sentido de que TODOS aprenderam que:
1 - Ninguém faz um filme sozinho. Sem trabalho de equipe e múltiplos esforços direcionados para o mesmo objetivo não há chance de obtermos um resultado bom;
2 - O descaso ou a não cooperação de alguns fará, necessariamente, que outros trabalhem em dobro. Numa produção real os que não colaboraram teriam sido demitidos. Em nossa situação acadêmica, não conseguiram obter o conceito mínimo no primeiro bimestre na disciplina e terão que recuperar no próximo bimestre.
3 - É muito caro fazer filmes. E em geral, audiovisuais ficcionais custam muito mais caro do que os documentais. É por esta razão que no Brasil existe uma indústria de televisão (jornalismo e seus financiadores publicitários) e não uma de cinema. Quando montamos uma equipe de marketing era justamente para pensar em saídas criativas para resolver os problemas financeiros que certamente apareceriam.
4 - Os primeiros filmes que fazemos servem exatamente para nos mostrar as nossas limitações, dificilmente sua função é nos mostrar o quanto somos bons, criativos, competentes, inovadores ou brilhantes. E daí devemos tirar outra lição: ainda somos muito pouco colaborativos, extremamente desorganizados, não sabemos administrar nosso tempo (levamos horas e horas para gravar coisas que deveriam levar minutos!!), muitas vezes alguns de nós estão apenas de “corpo presente” e não se voluntariam para nada, nossos egos nos permitem dar ordens como se os outros colegas devessem nos servir, não sabemos nos organizar para captar recursos financeiros ou fazer trocas e permutas, nossas habilidades em marketing são nulas, perdemos tempo até com retrabalho. Mas pior do que isso, fomos exigentes ao extremo, mostrando nossa real incapacidade de adaptação à realidade econômica do país em que vivemos, principalmente nos raros investimentos no que compete à arte e ainda por cima, numa situação acadêmica reconhecidamente sem recursos financeiros.
5 - Ainda temos alguns planos para rodar e teremos transporte do IFPR para a locação. se preciso, termos câmera e cinegrafista empresatados também. Fora isso não teremos outros custos. A alimentação, se não for no esquema CUPS “cada um paga o seu” que seja num local onde conseguiram apoio ou patrocínio.
Apesar de todos os problemas que tivemos no caminho, lembro-os que temos um bom material que já foi captado e que ainda temos outros filmes para executar ainda na mesma disciplina: o videoclipe e o filme de 1 minuto sem cortes.
Creio que o objetivo principal pelo qual iniciamos o projeto deste filme foi perfeitamente atendido: todos entenderam a complexidade que é fazer um filme e puderam saber quais as competências de cada cargo numa produção.
Agradeço a todos que colaboraram com a produção do filme até agora, mas creio que já passou da hora de encerrarmos o assunto. Independente da vontade das equipes ativas na produção, aviso aos navegantes que estamos encerrando agora a discussão sobre as questões financeiras."
sábado, 1 de janeiro de 2011
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Entre as Folhas: Desabafo de Produção, com Rayat Lyrians!
Creio que as almas que seguem meu blog já devem ter notado que estive "fora de área" por quase um mês. Bom, digamos resumidamente que tivemos séries de problemas durante o Entre as Folhas e por isso esta ausência gritante de minhas atividades blogueiras. Pois bem, pra vocês terem uma primeira ideia do que eu estou falando (rs), eis abaixo o desabafo da nossa Diretora de Produção Rayat Lyrians, que caiu de pára-quedas no cargo, teve de carregar o filme todo nas costas e ainda conseguiu tempo pra ser mais criativa na abordagem com a equipe!
Confesso que depois disso passei a ver o departamento da Produção com Outros Olhos... E ainda não entendo como não existe Oscar pra Direção de Produção!!!!
Enfim, tivemos muitos e muitos aprendizados com este filme, mas esses vão ficar para outro post.
domingo, 21 de novembro de 2010
Atriz Selecionada: Naí Oliveira
produtora e compositora no filme Entre as Folhas.

Com vocês, a nossa nova vítima!
E já está escolhida a protagonista do filme Entre as Folhas. Nossa loira que em breve se tornará ruiva, Naí Oliveira estuda teatro desde 2000. Dos 8 aos 13 anos cursou a Oficina de Teatro do Centro Juvenil de Artes Plásticas, onde apresentava espetáculos amadores. De 2003 a 2007, participou do grupo folclórico Boi Nitinho, com o qual apresentou-se em lugares como Festival de Inverno de Antonina (2004). Em 2007, participou do lançamento do livro Chloris Uma História de Resistencia, de Teresa Teixeira de Britto.
Em 2008, entrou para o Curso de do Teatro Cultura e apresentou a peça profissional “De Pessoas para pessoas”. Em 2010, atuou no curta-metragem “Cry On” (do diretor Renan Guedes) e protagonizou o videoclipe “Agora”, da banda Bogart.
No próximo episódio, vamos às locações!!!
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Aberta a Temporada de Caça a Atrizes!!!
Blog do Filme: http://entreasfolhas.blogspot.com
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Entre as Folhas
O roteiro do filme Entre as Folhas é uma adaptação totalmente livre de um trecho do conto de Rubem Alves, "O Retorno Eterno". O poema de Rubem tinha um título, mas propositalmente este não nos foi revelado. Também tinha alguns versos a mais, que foram cortados. Segue abaixo o que ficou:
"Leia este poema vem devagar,
pois cada imagem
merece a preguiça do olhar:
No mistério do Sem-Fim;
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
entre o planeta e o Sem-fim,
A asa de uma borboleta.
É pequeno, mas diz tudo.
Nada lhe falta. Uni-verso.
Nenhuma palavra lhe
Poderia ser tirada.
Assim se faz um poema,
Com palavras essenciais.
O poema diz o essencial.
O essencial é aquilo que,
Se nos fosse roubado,
Morreríamos.
O que não pode ser esquecido.
Substância do nosso corpo
e da nossa alma."
(Rubem Alves, in “O Retorno e Terno”)
Ispirados (apenas inspirados, não baseados) no poema e (aí, sim) baseados em suas vivências pessoais, cada aluno deveria fazer um roteiro para vídeo (máx. 5min de duração) e um deles seria escolhido para ser produzido pela turma toda.
Assim que a professora informou o fato de usar os elementos do poema não literalmente, mas como metáforas de alguma outra coisa, pus-me a pensar. Logo que terminei minha leitura a imagem de uma garota ruiva boiando numa lagoa me veio à mente e com ela fiquei - seria minha borboleta.
Depois dela, o elemento que mais poderia se tornar clichê: o Infinito. Como não imaginar o céu? Preferi complementar: porquê não imaginar dois infinitos? Céu e mar... O planeta, uma praia.
Não vou avançar contando sobre todas as outras cenas que fui imaginando separadamente para depois juntar numa narrativa e dar, por fim, um sentido.
Me deterei ao mar, título-mor dessa postagem: sempre o comparei à vida, tão imenso e misterioso, imprevisível, surpreendente. Uma imensidão da qual não se vê o fim.
Mas poucos dias após ter meu roteiro escolhido, descobri que a maneira com que eu havia retratado o mar naquela narrativa dava total abertura a interpretações completamente diferentes: nossa professora via o mar como a morte. Outra coisa tão incerta e tão devastadora como a vida. Na visão dela, minha protagonista terminara olhando para o mar porque certamente morrera.
Incrível como uma única coisa pode ser vista de maneiras tão opostas. O fato é que fazia sentido, e muito. Assim como a morte, o mar pode ser uma força devastadora que de uma hora pra outra leva embora tudo o que estiver perto e aquilo nunca mais retornará.
Realmente, em minha história o mar pode realmente representar a morte. Ele destruiu as paredes do quarto, levou os livros, os remédios, a cama, tudo foi carregado para o inalcansável fundo dos oceanos...
Exceto a garota.
Se há uma maneira de crer que aquela cena final indique que Pérola morreu, não é por meio de mitologias ou por causa do mar - isso dependerá do que você entende por morte.
Naquele mesmo dia, nossa professora ministrou uma palestra sobre "A jornada do Herói", uma teoria junguiana usada na construção de personagens para um roteiro. O passo final da jornada seria exatamente a "morte" do herói em seu velho mundo para que ele pudesse "nascer" em um mundo novo.
No filme vemos um "mundo" que é destruído pelas águas. Ao invés de morrer para aquele mundo, Pérola quase escolheu morrer com aquele mundo...
Quase. E o que a impediu?
Você vai ter que esperar pra assistir ;)


