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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Entre as Folhas: o Fim.

( obs: se você quer saber mais sobre outros capítulos dessa “saga”, clique no marcador “Entre as Folhas” logo acima =D )







Um filme que nunca existiu. Cheguei a mencionar remotamente num post anterior sobre a produção deste curta e um erro específico das centenas que cometi ao longo do processo; além disso, comentei que o filme ainda não estava pronto e não saíra da ilha de edição desde aquele tempo. Pois bem, há cerca de algumas semanas fui surpreendida com alguns e-mails de meu antigo grupo do curso do IFPR cujo assunto “principal” não vem ao caso aqui, mas o importante é que resumindo respostas e respostas de respostas, fui notificada de que todo o material bruto do Entre as Folhas – ou seja, tudo o que foi filmado – se perdeu permanentemente. Não havia mais registro, o material original das fitas se foi, as cópias em HD foram deletadas, o backup se perdeu num computador defeituoso.
Então, de que adiantou? De que valeram todos os dias de reunião e filmagem, todos os custos, as brigas, os estresses, a correria, o tempo, o dinheiro e a energia que gastamos? Bom, talvez esse filme não tivesse sido criado pra ser exibido, talvez tudo isso tivesse sido uma “desculpa” para que algo mais acontecesse e fosse feito – algo que não foi. Não nego que não fui a única a falhar, pois de cerca de 20 alunos apenas metade colaborou pro filme ir pra frente; houve guerra de ego, corpo mole por antipatia com colega, colega que teve de sair por motivo de doença, enfim, todo tipo de problema humano que se possa imaginar. Mas o maior erro desse filme, a maior besteira, foi a minha covardia, a minha omissão, a minha falta de atitude. Perdi várias oportunidades de expor o significado do filme por puro despreparo, deixei de falar o que devia, e falei o que não devia; não ajudei o suficiente, não agi como uma diretora devia agir, menos ainda como uma cristã.


Mas não posso negar que tivemos momentos valiosos: não dá pra esquecer as loucuras, as gambiarras, a “catação” de folhas no Passeio Público, a emocionante madrugada de gravação e quebra-quebra na casa da colega Patrícia, a tensão quando minha querida Bruna quase é levada pelas correntezas do rio São Francisco, o vai-e-vem de livros velhos e pesados, e o quanto eu pude rir de meu coleguinha Robs vestido com as roupas de batismo que peguei emprestado da IBC; isso, entre mil outros acontecimentos que as câmeras de nossos olhos registraram, e que ficarão marcados pra sempre no rolo fílmico de nossas vidas.
Ainda me lembro do dia em que nossa professora de roteiro passava o poema no qual devíamos nos inspirar pra fazer o filme. Um poema que falava do essencial, daquilo que se fosse tirado de nós, morreríamos. Daquilo que poderia ser traduzido numa palavra; e no momento em que escrevi, que palavra era esta? Que necessidade tão ardente o seria?
Um sentido. Uma razão pra agir, pra sonhar, pra viver. É o que todos buscamos como humanos.


Essa foi minha palavra na época. Pérola, a protagonista do filme, buscava ardentemente por um sentido em sua vida. Ela buscou todo o conhecimento que podia para tentar suprir o seu vazio, por isso tinha tantos livros espalhados em seu quarto; ela procurava por respostas, por algo que a saciasse, e tentou fazer do conhecimento o seu sentido; mas não foi suficiente para preencher seu vazio. Frustrada, ao invés do sentido então buscou um consolo: encheu-se de remédios para aliviar sua dor. Mas com o tempo aquilo que era um alívio se tornou uma dependência, um vício, e já não era mais Pérola que consumia os remédios, mas era consumida por eles. Pérola criou então uma fuga, um mundo imaginário onde os problemas não existiam, onde ela era quem queria ser, ou quem pensava ser; mas a realidade veio como um caco de vidro em seu pé e num estrondo, ela caiu na “real”. Ela não via mais o mundo como ele era, mas como o pesadelo que suas escolhas haviam gerado, uma tormenta sem volta, um mundo em preto-e-branco. Já sem esperanças e com tudo destruído, ela não via outra alternativa, senão a de acabar com sua vida.
Quando nos pedia para escrever os roteiros, nossa professora disse que queria algo, de certa forma, baseado em nossas vivências pessoais; ou seja, que a nossa própria essência estivesse ali. Então, o Entre as Folhas seria auto-biográfico?
Sim e não. Muito mais do que UMA pessoa específica, a própria Pérola em si é uma metáfora: é alguém que, como todos, nasceu com um tremendo vazio existencial e, como muitos, tentou preenchê-lo a todo custo com coisas que além de não bastarem, a tornaram escrava e dependente. Os livros podiam representar uma profissão, um ideal, um sonho, um relacionamento; os remédios, como um consolo, poderiam ser bebida, baladas, cigarro, sexo, drogas; e o jardim era a fuga máxima do real, negar os problemas, fingir que está tudo bem, colorido e feliz, negar o vazio e a dor. Mas o baque da realidade é mais forte. Não há céu, não há chão, ela não tem mais onde se firmar e resolve terminar com tudo. Mas quando já parece ser tarde demais, alguém estende a mão. Alguém que se preocupa. Que realmente a ama. Alguém que não se importa com o que ela tenha feito, com quem tenha sido: Ele simplesmente quer ajudá-la a descobrir quem ela realmente é e é o único que pode levá-la a conhecer seu verdadeiro sentido. Meu querido, minha querida, este alguém é Jesus, e esse sentido Deus, é viver com Ele. E viver aqui, neste mundo e nesta vida que é A ÚNICA em que você vai poder escolher o seu destino. Não é preciso morrer pra encontrar Deus, pra falar com Deus, ou para ouvir Deus, pois ainda NESTA VIDA Ele quer que você o conheça, que se relacione com Ele. Uma religião não vai te proporcionar isto, conhecimento (bíblico ou não) não vai te proporcionar isto. Meu amigo, a salvação só se consegue de uma maneira, e possui três passos essenciais: crer, se arrepender, e se entregar a Jesus. Você pode não entender, pode duvidar, mas a verdade é que o Deus que diziam estar distante se fez homem, habitou entre humanos e FOI MORTO por amor a cada um de nós. Jesus É DEUS e não apenas morreu, mas ressuscitou e venceu a morte para nos dar vida, e vida em abundância. Jesus não é uma religião chata, é um Deus que promove um relacionamento vivo e amoroso. É um cara que vai te amar independentemente de quem você é, mas que vai te ajudar a crescer e mudar, mudar pra aproveitar cada vez mais a vida que Ele deu pra você; Jesus não é aquele que simplesmente fez milagres na antiguidade, mas aquele que FAZ milagres a todo tempo na vida dos que se entregam a Ele.
É... Acho que é isso o que eu queria dizer esse tempo todo. Eu queria dizer o que eu vivo, o que eu sinto, o que eu fui e o que eu sou. Ainda com defeitos, com problemas, mas com esperança e um amigo inseparável que reparte as cargas comigo e alivia o meu cansaço. Glória e Aleluia.
E pra você que não conhece, ou não viu ainda integralmente o roteiro do Entre as Folhas, ele está “anexado” logo abaixo. Ainda pretendo alterar algumas coisas, como trocar a praia realmente por um rio e também o nome dos personagens, de Pérola para simplesmente “Ela” e do Alguém para quem “Ele” é.
Um grande abraço, e se você aguentou até aqui (rsrsrs), enjoy!




“ENTRE AS FOLHAS”
Um roteiro original de Lin Marx



1. PRAIA – EXT – NOITE – CÉU ESTRELADO

FADE IN


O céu e as estrelas surgem lentamente no fundo negro.





FADE OUT

2. LAGOA – EXT – DIA

FADE IN


PÉROLA está deitada, boiando na água e olhando para cima. À sua volta algumas folhas flutuam. Outras folhas caem lentamente sobre ela. O reflexo da água é bem azul e as folhas estão bem verdes.




MONTAGEM PARALELA COM CENA 3.

3. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

CENA 3 SURGE APENAS EM CORTES RÁPIDOS, COMO SE A CENA 2 FALHASSE.



Pérola está deitada no chão. Ela tem aparência doentia. À sua volta estão vários pedaços de papel rasgado. Outros pedaços caem lentamente sobre ela.





FUSÃO DA CENA 3 COM CENA 4

4. JARDIM DE OUTONO – ABAIXO DA SOMBRA DA ÁRVORE – EXT –DIA

Pérola está deitada sobre folhas amareladas de outono, abaixo da sombra de uma árvore. Algumas folhas de outono caem lentamente sobre ela.





FADE OUT

5. JARDIM FLORIDO – EXT – DIA

O jardim possui flores de todas as cores. A grama é bem verde, há uma árvore no meio das flores. Pérola corre pelo jardim, quando subitamente tropeça.





6. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

Pérola cai no chão frio.





5-B. JARDIM FLORIDO – EXT – DIA

Pérola está caída. Ela nota uma pétala de flor fincada em seu pé. Pérola tira a pétala e sai pólen dourado pela ferida que a pétala deixou. Pérola pega um pouco do pólen e passa em seu rosto. Ela assopra a pétala e a pétala se multiplica, depois se transforma em borboletas, que rodeiam Pérola cada vez mais rápido.





7. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

A mão de Pérola rodeia um copo com uma colher. Dentro do copo está continuando a CENA 5-B, que está colorida. A mão de Pérola para de rodear o copo e derrama o líquido sobre a superfície. O SOM do líquido é destacado.





8. JARDIM DE OUTONO – EXT – DIA

Pérola ouve o SOM de bolhas emergindo, vindo de uma lagoa próxima. Ela vai até a lagoa e vê em seu reflexo o teto do quarto escuro, e sua imagem em PB debilitada e doentia. Pérola espalha o reflexo com sua mão.





9. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

A mão de Pérola derruba vários remédios, cadernos, uma garrafa d’água, uma colher e uma luminária ligada de uma escrivaninha que está em frente a uma janela aberta. Na janela é visto o céu estrelado, que está em cores. Pérola fecha subitamente a janela. A luminária continua ligada, pendurada pelo fio da tomada. Ao lado de Pérola há uma cama e, na parede, uma estante cheia de livros. Pérola tira todos os livros da estante. Ela joga uns sobre a cama, outros no chão. Começa a arrancar as folhas dos livros e as rasga. Ela chora desesperada enquanto arranca as folhas.





CORTA PARA FLASHBACK 1

F-1. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

A mão de Pérola rodeia um copo com uma colher. Há pedaços brancos se desmanchando dentro do copo.




FUSÃO DOS PEDAÇOS DO COPO COM AS ESTRELAS DO FLASHBACK 2.

F-2. PRAIA – EXT – NOITE – CÉU ESTRELADO

Aparece o céu estrelado. Logo abaixo está uma praia.





F-3. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

O fim da praia é vista colorida pela janela do quarto. A escrivaninha é vista de cima, com os remédios, os cadernos, a garrafa, o copo vazio, a colher e a luminária ainda sobre ela. Pérola está ajoelhada no chão, com vários livros abertos ao seu redor. Ela abre e folheia os livros apressadamente. Parece chorar. Pérola se levanta e vai até a escrivaninha, enche o copo com a água da garrafa e despeja um remédio sobre a água do copo. Ela rodeia o copo com a colher. Tira a colher e despeja o líquido do copo sobre a superfície da escrivaninha. Arremessa o copo entre os livros do chão e o copo se quebra.




ELIPSE

10. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

Pérola pega algumas folhas rasgadas e as joga no ar enquanto rodopia. As folhas giram ao seu redor. Ela parece um pouco mais calma, quando pisa em um caco de vidro, desliza e cai no chão.





ELIPSE

10-B. QUARTO ESCURO – INT – NOITE (PB)

Pérola está deitada no chão, chorando. Seu rosto está manchado com um pouco de sangue. À sua volta estão vários pedaços de papel rasgado. Outros pedaços caem lentamente sobre ela. Há um caco de vidro ensangüentado em sua mão. Ela para de chorar, estende lentamente os braços e encosta o caco de vidro sobre um dos pulsos. Ela afasta o caco de vidro do pulso, depois o aproxima novamente e faz um leve arranhão. Pérola afasta o caco e se prepara para fincá-lo no pulso. Sua vista começa a desfocar. Quando ela vai fincar o caco, as mãos coloridas de ALGUÉM seguram as mãos de Pérola. Tudo ainda está desfocado. Pérola amolece e deixa o caco de vidro cair de sua mão. Alguém se ajoelha no chão e a pega no colo, tira o sangue de seu rosto e a abraça. Pérola chora e começa a ficar colorida. Água começa a entrar pela porta do quarto. As paredes do quarto vão se desfazendo.





FUSÃO DA CENA 10-B COM A CENA 11

11. PRAIA – EXT – AMANHECER

Pérola e Alguém ainda estão abraçados, com a água da praia molhando os pés e joelhos de Alguém. Pérola está mais tranquila.





ELIPSE

FUSÃO DA CENA 11 COM A CENA 12

12. PRAIA – EXT – MANHÃ

Pérola está sentada na praia, olhando para o mar.



FIM









quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Coisas que aprendemos com o Entre as Folhas

O texto abaixo é trecho de um e-mail de autoria da profª da disciplina de Audiovisuais Ficcionais, Cynthia Schneider, coordenadora da nossa incompleta e catastrófica, mas construtiva, empreitada cinematográfica.
Pra você que está afim de fazer Cinema, é bom dar uma olhada:

"Oi pessoal.
Vou retomar o assunto do “Entre as Folhas”, pois este filme é um trabalho acadêmico que está em fase de realização na disciplina de Audiovisuais Ficcionais do Curso de Técnico em Produção de Áudio e Vídeo do IFPR. Para refrescar os ânimos vou relembrá-los que o roteiro do filme decorreu da adaptação livre de um poema de Rubem Alves. O poema era o seguinte:

Leia este poema vem devagar,
pois cada imagem
merece a preguiça do olhar:

No mistério do Sem-Fim;
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
entre o planeta e o Sem-fim,
A asa de uma borboleta.

É pequeno, mas diz tudo.
Nada lhe falta. Uni-verso.
Nenhuma palavra lhe
Poderia ser tirada.
Assim se faz um poema,
Com palavras essenciais.
O poema diz o essencial.
O essencial é aquilo que,
Se nos fosse roubado,
Morreríamos.
O que não pode ser esquecido.
Substância do nosso corpo
e da nossa alma.

Rubem Alves, in “O Retorno Eterno”

Voltando ao texto original, fico pensando o que autor iria pensar ao ver a briga toda na qual nos metemos por conta da produção de um filme de 2 minutos inspirado neste poema. Achei hilário o vídeo realizado pela diretora de produção Rayane e reconheço que realmente todos nós precisavamos ouvir o desabafo. Vamos aos aspectos didáticos do filme, no que envolve o aprendizado proposto pela disciplina, no sentido de que TODOS aprenderam que:

1 - Ninguém faz um filme sozinho. Sem trabalho de equipe e múltiplos esforços direcionados para o mesmo objetivo não há chance de obtermos um resultado bom;

2 - O descaso ou a não cooperação de alguns fará, necessariamente, que outros trabalhem em dobro. Numa produção real os que não colaboraram teriam sido demitidos. Em nossa situação acadêmica, não conseguiram obter o conceito mínimo no primeiro bimestre na disciplina e terão que recuperar no próximo bimestre.

3 - É muito caro fazer filmes. E em geral, audiovisuais ficcionais custam muito mais caro do que os documentais. É por esta razão que no Brasil existe uma indústria de televisão (jornalismo e seus financiadores publicitários) e não uma de cinema. Quando montamos uma equipe de marketing era justamente para pensar em saídas criativas para resolver os problemas financeiros que certamente apareceriam.

4 - Os primeiros filmes que fazemos servem exatamente para nos mostrar as nossas limitações, dificilmente sua função é nos mostrar o quanto somos bons, criativos, competentes, inovadores ou brilhantes. E daí devemos tirar outra lição: ainda somos muito pouco colaborativos, extremamente desorganizados, não sabemos administrar nosso tempo (levamos horas e horas para gravar coisas que deveriam levar minutos!!), muitas vezes alguns de nós estão apenas de “corpo presente” e não se voluntariam para nada, nossos egos nos permitem dar ordens como se os outros colegas devessem nos servir, não sabemos nos organizar para captar recursos financeiros ou fazer trocas e permutas, nossas habilidades em marketing são nulas, perdemos tempo até com retrabalho. Mas pior do que isso, fomos exigentes ao extremo, mostrando nossa real incapacidade de adaptação à realidade econômica do país em que vivemos, principalmente nos raros investimentos no que compete à arte e ainda por cima, numa situação acadêmica reconhecidamente sem recursos financeiros.

5 - Ainda temos alguns planos para rodar e teremos transporte do IFPR para a locação. se preciso, termos câmera e cinegrafista empresatados também. Fora isso não teremos outros custos. A alimentação, se não for no esquema CUPS “cada um paga o seu” que seja num local onde conseguiram apoio ou patrocínio.


Apesar de todos os problemas que tivemos no caminho, lembro-os que temos um bom material que já foi captado e que ainda temos outros filmes para executar ainda na mesma disciplina: o videoclipe e o filme de 1 minuto sem cortes.

Creio que o objetivo principal pelo qual iniciamos o projeto deste filme foi perfeitamente atendido: todos entenderam a complexidade que é fazer um filme e puderam saber quais as competências de cada cargo numa produção.

Agradeço a todos que colaboraram com a produção do filme até agora, mas creio que já passou da hora de encerrarmos o assunto. Independente da vontade das equipes ativas na produção, aviso aos navegantes que estamos encerrando agora a discussão sobre as questões financeiras."

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Entre as Folhas: Desabafo de Produção, com Rayat Lyrians!

Creio que as almas que seguem meu blog já devem ter notado que estive "fora de área" por quase um mês. Bom, digamos resumidamente que tivemos séries de problemas durante o Entre as Folhas e por isso esta ausência gritante de minhas atividades blogueiras. Pois bem, pra vocês terem uma primeira ideia do que eu estou falando (rs), eis abaixo o desabafo da nossa Diretora de Produção Rayat Lyrians, que caiu de pára-quedas no cargo, teve de carregar o filme todo nas costas e ainda conseguiu tempo pra ser mais criativa na abordagem com a equipe!

Confesso que depois disso passei a ver o departamento da Produção com Outros Olhos... E ainda não entendo como não existe Oscar pra Direção de Produção!!!!

Enfim, tivemos muitos e muitos aprendizados com este filme, mas esses vão ficar para outro post.

domingo, 21 de novembro de 2010

Atriz Selecionada: Naí Oliveira

Adaptado do texto-base de Rayat Lyrians,
produtora e compositora no filme Entre as Folhas.


Com vocês, a nossa nova vítima!

E já está escolhida a protagonista do filme Entre as Folhas. Nossa loira que em breve se tornará ruiva, Naí Oliveira estuda teatro desde 2000. Dos 8 aos 13 anos cursou a Oficina de Teatro do Centro Juvenil de Artes Plásticas, onde apresentava espetáculos amadores. De 2003 a 2007, participou do grupo folclórico Boi Nitinho, com o qual apresentou-se em lugares como Festival de Inverno de Antonina (2004). Em 2007, participou do lançamento do livro Chloris Uma História de Resistencia, de Teresa Teixeira de Britto.



Atores do Espetáculo "De Pessoas para pessoas"

Em 2008, entrou para o Curso de do Teatro Cultura e apresentou a peça profissional “De Pessoas para pessoas”. Em 2010, atuou no curta-metragem “Cry On” (do diretor Renan Guedes) e protagonizou o videoclipe “Agora”, da banda Bogart.

No próximo episódio, vamos às locações!!!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Aberta a Temporada de Caça a Atrizes!!!

E começam os testes de elenco para o curta-metragem Entre as Folhas!!
As interessadas poderão fazer o teste nesta quinta-feira(11/11) ou no sábado(13/11). Segue abaixo o cartaz com mais informações.

Blog do Filme: http://entreasfolhas.blogspot.com

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Entre as Folhas

.o mar

O roteiro do filme Entre as Folhas é uma adaptação totalmente livre de um trecho do conto de Rubem Alves, "O Retorno Eterno". O poema de Rubem tinha um título, mas propositalmente este não nos foi revelado. Também tinha alguns versos a mais, que foram cortados. Segue abaixo o que ficou:

"Leia este poema vem devagar,

pois cada imagem

merece a preguiça do olhar:

No mistério do Sem-Fim;

equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,

e, no jardim um canteiro:

no canteiro, uma violeta,

entre o planeta e o Sem-fim,

A asa de uma borboleta.


É pequeno, mas diz tudo.

Nada lhe falta. Uni-verso.

Nenhuma palavra lhe

Poderia ser tirada.

Assim se faz um poema,

Com palavras essenciais.

O poema diz o essencial.

O essencial é aquilo que,

Se nos fosse roubado,

Morreríamos.

O que não pode ser esquecido.

Substância do nosso corpo

e da nossa alma."

(Rubem Alves, in “O Retorno e Terno”)


Ispirados (apenas inspirados, não baseados) no poema e (aí, sim) baseados em suas vivências pessoais, cada aluno deveria fazer um roteiro para vídeo (máx. 5min de duração) e um deles seria escolhido para ser produzido pela turma toda.

Assim que a professora informou o fato de usar os elementos do poema não literalmente, mas como metáforas de alguma outra coisa, pus-me a pensar. Logo que terminei minha leitura a imagem de uma garota ruiva boiando numa lagoa me veio à mente e com ela fiquei - seria minha borboleta.

Depois dela, o elemento que mais poderia se tornar clichê: o Infinito. Como não imaginar o céu? Preferi complementar: porquê não imaginar dois infinitos? Céu e mar... O planeta, uma praia.

Não vou avançar contando sobre todas as outras cenas que fui imaginando separadamente para depois juntar numa narrativa e dar, por fim, um sentido.

Me deterei ao mar, título-mor dessa postagem: sempre o comparei à vida, tão imenso e misterioso, imprevisível, surpreendente. Uma imensidão da qual não se vê o fim.

Mas poucos dias após ter meu roteiro escolhido, descobri que a maneira com que eu havia retratado o mar naquela narrativa dava total abertura a interpretações completamente diferentes: nossa professora via o mar como a morte. Outra coisa tão incerta e tão devastadora como a vida. Na visão dela, minha protagonista terminara olhando para o mar porque certamente morrera.

Incrível como uma única coisa pode ser vista de maneiras tão opostas. O fato é que fazia sentido, e muito. Assim como a morte, o mar pode ser uma força devastadora que de uma hora pra outra leva embora tudo o que estiver perto e aquilo nunca mais retornará.

Realmente, em minha história o mar pode realmente representar a morte. Ele destruiu as paredes do quarto, levou os livros, os remédios, a cama, tudo foi carregado para o inalcansável fundo dos oceanos...

Exceto a garota.

Se há uma maneira de crer que aquela cena final indique que Pérola morreu, não é por meio de mitologias ou por causa do mar - isso dependerá do que você entende por morte.

Naquele mesmo dia, nossa professora ministrou uma palestra sobre "A jornada do Herói", uma teoria junguiana usada na construção de personagens para um roteiro. O passo final da jornada seria exatamente a "morte" do herói em seu velho mundo para que ele pudesse "nascer" em um mundo novo.

No filme vemos um "mundo" que é destruído pelas águas. Ao invés de morrer para aquele mundo, Pérola quase escolheu morrer com aquele mundo...

Quase. E o que a impediu?

Você vai ter que esperar pra assistir ;)